
A CASA DE JORGE, acabou por se fixar como o nome do grupo, que ensaiava na casa de Jorge Caetano, ator, jornalista e diretor de NÃO VAMOS FALAR SOBRE ISSO AGORA (que considero como um dos melhores espetáculos de 2007) e OS ESTONIANOS, sucesso de crítica e público.
Mais um grupo que nasce –Viva!, e que, ao que tudo indica, por suas qualidades e disposição, veio para ficar. Veio para fazer teatro, não para montar uma peça.
Montar peças e fazer teatro são duas coisas totalmente diferentes. Montar uma peça é um trabalho isolado, sem antecedentes nem conseqüências. Em geral são espetáculos para palco italiano, contam com duas ou três estrelas conhecidas (da televisão, principalmente), tem cenários irremovíveis (uma cenografia cara parece ser a coisa mais importante do teatro), e só algumas capitais merecem esses espetáculos que tem seus ingressos vendidos a 80, 100 reais cada um.
FAZER TEATRO é um processo contínuo que começa quando há um encontro de pessoas, não necessariamente famosas via TV, mas gente de teatro, voltada para um mesmo objetivo: formar um grupo permanente, em um processo constante no qual uma peça é parte de um caminho que vai sendo aberto aos poucos, dia após dia, sem prazo para terminar nem ponto final. E entre outras premissas básicas está a elaboração de espetáculos flexíveis, que possam ser encenados nos mais variados tipos de espaço, de fácil transporte para viagens a lugares onde há uma enorme carência de cultura que não seja a que lhes chega via TV.
É em torno de uma boa dramaturgia que se formam os melhores grupos de teatro. Julia Spadaccini é hoje, uma autora teatral madura, apesar de sua juventude, com cerca de dez peças encenadas, entre elas: “Na Geladeira”, “Boeing 737”, “A Porta Giratória”, “Estudo sobre a Sedução”, “Por enquanto é Isso” “A Sônia é que é Feliz”, “Um dia Anita”, “Chuva Ácida”, “Alberto Azulão”, todas detentoras de vários prêmios nos festivais onde foram apresentadas
Júlia é considerada uma das principais autoras do chamado novo teatro, voltado para temas da atualidade, abordando as dificuldades das relações humanas, a solidão, a afirmação individual e a necessidade do outro, os sentimentos contraditórios, sem vítimas nem algozes, ninguém é detentor da verdade, nem há intenção moralizante. Passa longe da comédia ou drama burguês, das comédias de adultério, dos sentimentos banais travestidos de profundidade filosófica.
Jorge Caetano é ator, produtor, diretor
do grupo e responsável pelas trilhas sonoras. Formado pela CAL, tem longa
experiência com o teatro experimental e trabalhos criados a partir de
improvisações. É ator convidado d´ Aquela Cia de Teatro e recebeu o prêmio APTR (2011) e
o prêmio FITA (2011) de melhor ator coadjuvante no musical Outside.
A geração do novo teatro sabe rir de si mesma, onde o heroísmo se banha em ironia, mas não é pessimista. Aposta no ser humano e sabe que as dificuldades são superadas pela união de esforços. É mais um grupo teatral nascendo que veio para ficar e que merece todo o apoio para que não seja apenas mais uma peça, mas o ponto de partida para um viagem artística que desejamos que seja longa e fecunda.
Paulo José
Ator e diretor
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